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Encyclopedia MateusicaeJune 28 H - HumanidadeQuando tudo for descoberto e vivermos em uma sociedade perfeita, só nos restará a arte. Esta frase não se trata de profetizar o utópico, mas de enfatizar o poder da arte e sua capacidade infinita de desafiar a humanidade. E de exaltar o homem-artesão, aquele que se manifesta em todos nós quanto tentamos trazer para os dedos as infinitas coerências que se passam pela nossa cabeça.
É quase uma regra geral da teoria de sistemas que o todo é sempre muito mais que a soma das partes. Talvez até multiplicações. Na natureza, se observa como o comportamento animal de sociedades é infinitamente mais complexo do que indivíduos solitários. Assim, poucos se tornam um grande animal, de vida mais longa e muito mais poderoso e resistente a destruição. Um indivíduo humano vive 80 anos, mas e um povo? Assim como uma célula dura dias ou semanas, um ser humano pode durar infinitamente mais. Mas assim mesmo algumas células podem se transformar em Câncer, e destruir um corpo - e geralmente a destruição de um império começou com um único indivíduo, às vezes não tão "importante" assim. Assim como na natureza (evolução construtiva), os "cânceres positivos" demoram muito tempo para aparecer, sofrem enorme resistência para se firmar, e quando surgem finalmente, é de forma explosiva e revolucionária, normalmente desencadeando uma longa série de mudanças subsequentes. De fato, é necessário o nascimento de toda uma nova ciência para lidar com a teoria de sistemas, tamanha é a sua complexidade.
É interessante ver o homem como uma célula e não como indivíduo, porque mesmo assim é possível usar a psicologia, ver traumas coletivos, êxtases coletivos, obsessões coletivas, etc. Existe uma profunda troca entre as experiências de um indivíduo e a sociedade, e as experiências de uma sociedade e o indivíduo, os dois se influenciam mutuamente. Mas até agora só falei de animais não-humanos. Tá vendo?
Quando um dos seres vivos, com capacidade de manipulação de ferramentas suficientemente elaborada, e comunicação para espalhar para os outros o que descobriu (a fofoca), além de é claro ser social, fez um montinho de terra com as mãos, e em seguida olhou para a frente e viu uma montanha, algo interessante aconteceu.
Geralmente em grupos animais sociais onde não existe uma especialização tão gritante de funções (como as abelhas), a tendência é o aparecimento de hierarquias. Nos mamíferos isto é bastante evidente, se observando de todos os tipos, matriarcais (elefantes), patriarcais(felinos e caninos sociais), e misturas dos dois (chimpanzés) de acordo com as condições ambientais (!). Geralmente o grupo tem mesmo essas divisões sexuais e dentro de cada sexo a hierarquia de importância vai de macho alpha (tem privilégios sobre escolha de fêmeas e da comida dividida) a macho ômega (tá no fundo do poço!). Este sistema é observado de cachorros a baleias, e a linha que divide cada posição hierárquica é tão tênue quanto esta mesma lógica que existe muito informalmente dentro de famílias humanas. No fundo, é uma hierarquia de respeito entre um indivíduo e outro.
E aí que esses seres têm programação genética para subir ao poder. Cada um deles, e isso não é nada mau porque mantém os melhores no topo. Quando se é um cachorro quase sempre a idéia que cada cãozinho tem (nos genes) é o melhor para o seu grupo. O problema é quando se é humano, o conceito de melhor varia tanto... (George Bush e Hitler que o digam). Assim dentro do respeito cada um sonha em ter as qualidades do macho alpha. Ele é a estrela de cinema, o campeão do mundo.
E toda essa enrolação foi para dizer que, ao construir o montinho de terra com as mãos o ser humano realizou um feito, mas ao ver a montanha ele imaginou o tamanho das mãos daquele que como ele estava só brincando. Foi aí que o ser humano descobriu, ou inventou Deus. Em resumo, só um ser capaz de criar é capaz de conceber algo como Deus, e depois ficar adorando, como o macho alpha supremo. A arte e ciência então estão tão ligadas assim à religiosidade porque ao fazer uma escultura, uma pintura, ou um laptop, o homem tenta se igualar à natureza que o criou, assim como nós usamos relógios suíços ou dirigimos carros audi.
O homem vai até onde o seu macho alpha for, seja um jogador de futebol, seja um empresário de sucesso. Cientistas, filósofos, artistas e religiosos vão além - seu macho alpha está nos cofins do imaginável. Tirar este Deus ou a própria espiritualidade humana, sua fascinação pelo universo "criado", e o pôr na terra dentro de um carro esportivo, é negar o homem-artesão, e deixá-lo em um ciclo interno na sociedade, de karma e adoração a sua cultura vigente.
Velho Mito Hindu
Uma vez Brahman quis esconder o poder divino do homem, a fim de que este nunca pudesso o utilizar para fins maléficos.
Em reunião com outros deuses, perguntou onde deveria esconder esse poder, de forma que nunca fosse alcançado.
Um sugeriu que colocasse no mais fundo dos oceanos, onde peixe algum jamais esteve.
Mas Brahman disse que um dia o homem construiria uma máquina e encontraria meios de chegar até lá.
Outro propôs que o poder divino fosse posto no mais alto dos céus, acima das núvens, mais alto que qualquer águia já voou.
Ainda assim, Brahman falou, ele alcançaria, com máquinas algum dia construídas com a mais pura engenhosidade.
Meio desapontado, Brahamn teve uma idéia:
Todos esperavam quando ele finalmente disse:
"Vou colocar o poder divino no fundo de seu coração. Lá ele nunca o alcançará" May 29 F - FutebolEm qualquer esporte, a disputa inerente a uma condição de "melhor" na peleja, derruba toda ética humana e conceitos que suprimem o confronto. Quando um filósofo francês disse que apredera tudo sobre moralidade e ética no futebol, ele não estava apenas tentando criar uma frase de efeito. Um conjunto de regras que dura praticamente sem alterações os últimos 100 anos e apaixona a maior parte do planeta sem dúvida tem preceitos poderosos, considerando é claro que o último século foi o XX. Na verdade o jogo em si depende muito pouco do conjunto completo das regras para funcionar. Talvez esteja aí a maravilha de todos os esportes, que vivem essencialmente da disputa. Em uma praia ou campo de barro, a última das necessidades é o juiz. As linhas de demarcação são tampouco, travessão é luxo, uniformes mais ainda, e a bola nem sempre tem forma tão esférica assim, para que a diversão se complete. Não me vou referir à condição interclassial do futebol, mas sim da anarquia ordenada que se cria durante os jogos, e que por si só é uma maravilha. Os orgulhos pessoais e a vitória são postos de lado, enquanto obviamente se deseja que o jogo em si ocorra. Não raro se observa o cacete comer no centro e alguém levar a bola embora, mas só o incrível fato disso não ocorrer sempre, ou melhor, menos do que o que se esperaria de um ambiente tão não-cartesiano, faz com que se encham de esperança os pacifistas e idealistas, observando um modelo em escala da sociedade, que apesar de viver em conflito constante, alcançam uma ordem superior pelo bem da existência da disputa. Talvez tenha sido isso que mostrou a Albert Camus (o filósofo francês) com quantos paus se fazia a sociedade humana. E é claro que este comportamento de rua não se restringe ao futebol. Com dinheiro em jogo, gangues americanas disputam territórios com regras acordadas de basquete, e no meu prédio, o vôlei era jogado com desnível de 1,5 metros entre um campo e outro, e um deles era coberto pela fachada do prédio. Regras acordadas equilibravam a disputa, com compensações. Mas para o homem bípede, nada é a maior glória que o chute. O ser humano, ao andar já exerce este movimento naturalmente, e qualquer objeto que esteja no caminho é sumariamente lançado pelos músculos mais fortes do corpo humano na direção com algum dos propósitos olímpicos de "mais rápido, mais alto, mais forte", ou simplesmente "mais preciso", que pode dar origem a sorrisos de admiração de estranhos caso o movimento seja esticamente interessante. As razões da origem evolutiva do bipedismo podem intrigar cientistas, mas ele proporcionou no nosso caso o surgimento do futebol. Vários outros esportes utilizam a mão no lugar da bola, o que pode nos fazer perguntar por que então o futebol tem um estilo tão singular e plástico de jogo, o que quer dizer que ao contrário do que acreditam os americanos, é extremamente emocionante. Em primeiro lugar, pela falta de controle que se tem pela bola ao movimentá-la. A mão é em todos os aspectos mais precisa em manipular objetos, e por conseguinte, bolas. O fato de em muitos esportes semelhantes ao futebol mas que se usa a mão (handebol, rugby, basquete) a bola ter a tendência de ser "segurada" por um jogador, e pelos braços estarem na parte mais alta do corpo, é uma tendência natural se formarem "barreiras" de jogadores, intransponíveis a não ser pelo alto, o que favorece jogadores mais altos. Isto é a visão clássica, mas não é tudo - o fato da bola estar presa restringe seu fluxo entre um jogador e outro, já que uma bola segurada por duas mãos raramente será tomada, e o fato do braço necessitar de um movimento circular para atingir a (talvez) mesma velocidade de um chute, faz com que um quarterback precise se afastar para lançar uma bola no futebol americano, o que atrasa enormemente a movimentação, e faz com que grandes espaços percorridos a grandes velocidades sejam característicos do futebol como conhecemos. Em segundo lugar, a raridade do gol o torna um evento único nos tipos esportivos. A emoção distribuída em um jogo de vôlei, com grandes jogadas, tende ao costume pelo seu excesso, e um momento único de alegria logo se dissolve, não tendo tanta importância. O gol é pontual, ele explode incontrolavelmente proporcionando picos de emoção que podem em muitos casos matar os corações que não se adaptam a ele! A dor e frustração no lado oposto é equivalente. O gol assim não pode ser derrubado de seu trono como "O" ponto, capaz de verdadeiramente decidir a glória ou desgraça. O ser humano funciona mais parecido com isso. O momento é registrado, e heróis inusitados surgem, premiando o que parece ser nem sempre o melhor time... Trazendo o futebol ao posto maior de esporte aleatório que não incorpora (visivelmente) a probabilidade. Neste mundo imaginário, as zebras sempre estão à espreita dos leões, e não raro conseguem façanhas graças a um momento inoportuno ou à própria imprevisibilidade do juiz. Sendo o futebol um dos esportes mais difíceis em matéria de arbitragem, onde os impedimentos ocorrem por medidas contínuas e não discretas, é um palco fértil para o erro humano. "Melhor é ganhar do adversário na casa dele, com gol contra e com juiz roubando" traduz o sentimento de chacota reservado muitas vezes a times de elite que sofrem derrotas avassaladoras. É realmente uma pena que esta característica tão pitoresca e humana do futebol tenda a ser apagada por formas mais precisas de arbitragem. É um sério atentado a juízes de qualidade, que devido a sua extraordinária capacidade, conseguem ver lances que não querem ser vistos, e organizar a anarquia que todos acham inordenável. É um esporte que antes de tudo, é moral. A condição psicológica do time principalmente nos dias atuais, influencia tanto, que beira a espiritualidade. Talvez seja por isso que o Brasil seja a pátria de chuteiras. O futebol é rezado, é invocado, e representado por uma variedade de entidades, conhecidas como Os Deuses do Futebol. É a alma desses bípedes chutantes. February 07 I - InternetLá pelos tempos remotos de 1995, o jovem Mateus Dantas de Paula recebe de presente do Tio uma maravilha: Um modem Sportster USRobotics 28.800kbps, dado como presente para que seu pai possa desfrutar do email recentemente cedido pela Universidade, e que nenhum de nós tinha a mínima noção de como fazer operar. Com um computador ainda rodando windows 3.1, um aplicativo TELNET foi rodado pelo técnico, e inúmeros comandos complexos foram dados até alcançar a tela de EMAIL. nesta, não se podia colocar acentos nas palavras, e escrever até o fim da tela sem apertar ENTER resultava inevitavelmente na sobreposição da linha anterior.
Foi a minha primeira experiência com a chamada INTERNET.
Junto com o enfeitado modem, top de linha para o mercado nacional na época, um horror de livretos, propagandas, "receba 10% de volta", e cds de instalação de navegadores para um tal de "windows 95". Um dos livretos me chamou a atenção, por ser mais instrutivo: "Discover the World Wide Web with your Sportster", logo vi que devia ter um pouco de história no meio. Era o VELHO TESTAMENTO:
Por várias razões históricas, a Internet emergiu como uma fonte de informação enorme e rica acessível apenas através de uma série de interfaces nem-tão-amigáveis-assim. Os comandos básicos para Telnet, FTP, Archie (?), WAIS (??), e até Email (!), são poderosas, mas contra-intuitivas, e o rápido crescimento da base de usuários, resultou em um aumento de indivíduos que nem têm a paciência, nem o desejo de aprender as intricadas interfaces
Isso notavelmente era um problema. Mas existia um fator de impulso para essa nova invenção:
A Internet necessita de um "aplicativo matador". Apenas uma ferramenta, um programa, uma aplicação, que o transformará em um sistema falado demais mas de difícil uso em uma ferramenta altamente manipulável e altamente informativa.
O que a internet TEM no momento é um conceito matador.
Esse aplicativo matador chegou logo com os primeiros NETSCAPE NAVIGATORS da vida, tornando a profecia um fenômeno. Amém.
O que se escondia atrás do jargão técnico da rede, era um instrumento de poderosa força socio-econômica. Enquanto os nerds do CERN que inventaram de verdade a internet esperavam que a rede nova tornasse acessível a biblioteca de Harvard, os investidores viam uma inesgotável fonte de lucros. Uma loja virtual praticamente poderia ter o MÁXIMO DE OFERTA para o MÁXIMO DA PROCURA. É o que se pode chamar de ápice do capitalismo. Puxando a popularização do computador, a internet logo estava lotada de propagandas, jornais, e sites de empresas, que disputavam para ver qual entraria primeiro no código www.minhaloja.com. A disputa ferrenha empacou quando a maioria dos usuários não confiava na internet, pelo fato de que atrás da tela qualquer um virava um ladrão em segundos, e sem controle social nenhum para o deter. Era a primeira etapa de caos estabelecida com o surgimento das novas tecnologias. Os meios econômicos antecipam, e moldam os sociais, sem antes claro haver o velho conflito de classes... a bolha estourou.
Mas alheios aos riscos econômicos, continuavam a se turbinar os meios de conexão, e o transporte ilegal de informações tornou-se lei em uma terra sem leis. O Homo digitalis é uma bruta criatura que rouba, copia, xinga, se expôe, expôe os outros e ameaça. Apesar de não sairem na rua dando dedadas, xingando a mãe ou entrando nas casas sem pedir licença, os usuários pintavam e bordavam na rede, levando ao medo da perda da privacidade e do dinheiro, apesar de todos darem cartões de crédito em restaurantes sem medo de clonagem e não ligarem para câmeras de vigilância. O Leviatã estava solto, com o controle social atrás por um fator nunca visto antes na história.
O retorno a esse modo de vida tribal trouxe, apesar do primitivismo, uma grande qualidade nunca antes vista pelo ser humano: a verdadeira liberdade. Sem restrições sociais ou espaciais, puderam ser formados contatos entre pessoas intangíveis, e distribuição de informação restrita a uma forma incontrolável. De fato, esta deveria ser considerada a principal característica da internet: ser incontrolável.
Isto certamente não foi visto pelos idealizadores e muito menos pelos donos da galinha de ovos de ouro. Mesmo que na China o Google agora cede e aplica a censura por palavras como "Democracia", "Massacre Paz Celestial" ou "Mao Peida na Farofa", o caminho do livre mercado e suas consequências sociais inevitavelmente irão trazer concorrências para este grande sistema de busca, e a censura se tornará insustentável.
A livre troca de idéias em mega escala pode produzir outros monstrinhos, que por incrível que pareça poderá fazer a história se repetir e trazer comportamentos tidos como medievais, como a produção independente artística - e sem o comprometimento da qualidade. Agora é possível o retorno do bardo "faz-tudo", dos poetas, dos artesãos, que não mais precisam se submeter às leis de mercado e da sequência de produção. A interface com a platéia se torna novamente pífia, e com a ajuda da tecnologia, mega.
É como se Leonardo da Vinci pudesse pintar em uma face inteira da Lua.
E falando nele, quem diria, os áridos anos do século XX sem gênios científicos podem chegar ao fim através da Internet. A massificação da informação terá produzido em algumas décadas uma geração sem igual na história. É possível notar como estão precoces as crianças em todos os aspectos, e como suas opiniões são baseadas em um mundo de escolhas sem restrições sociais. Isto pode parecer um tanto quanto utópico, mas a simples possibilidade disto ocorrer já torna os tempos que virão surpreendentes.
Provavelmente o que poderá trazer as maiores mudanças na sociedade com essa nova tecnologia é a chance do sistema político ser incorporado ao mundo virtual. Com os avanços na criptografia é possível implantar a verdadeira democracia em um país onde os habitantes não caibam em um mesmo espaço fechado. Eleições pela internet, referendos, votações de leis, todas podem acabar um dia tornar obsoleta a profissão de deputado, senador, vereador e até mesmo presidente, os intermediários do povo. Obviamente que os métodos de mudança de sistema político não tendem a mudar nem tão cedo...
August 15 D - Dave Matthews Band
...E nasce o Pop-Jazz! É assim, sem mais nem menos. Foi assim o Big Bang, e também com as peripérias de Dave. De um rapaz sofrido veio o que eu (e muitos) consideram "o" artista americano dos anos 90. Maior que o "grand canyon" (tem coisa mais americana que aquela chapada diamantina sem planta?) era o próprio abismo entre o jazz e a própria liricidade do rock.
Afinal, será que é difícil mesmo assim, criar melodias densas e trabalhadas com letras que não ficam apenas no "nobody loves me but my mother" (nada contra o mestre BB King!) quando elas aparecem? Era uma vez um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones e nasceu em Johannesburgo (África do Sul) em 1967, e logo aos 2 anos se mudou com sua família americana para Nova Iorque, onde seu pai foi trabalhar para a IBM. Foi para Cambridge, depois voltou para Nova Iorque, onde seu pai morreu em 1977. Davezinho com 10 anos de idade. Rodando em diversos colégios, dez anos mais tarde se mudou para Charlotesville, no estado americano da Virgínia, onde seus pais viviam antes dele nascer. Para aqueles que se mudam muito principalmente, essa idade é aquela onde se apega a um lugar, e a amigos (20 anos). E suas mudanças de colégio também forjaram uma mente americana tanto ampla como dispersa. É assim que neste mundo corporativo no qual vivemos se acaba na área da música, e tantas outras que não dão satisfação pela indireta do dinheiro, mas sim pelo retorno direto da satisfação da obra de vida. Esse herói que não é da nossa gente era também um QUAKER. Não, ele não pertencia à família dos patos, mas do AVEIA QUAKER. Sim, eles pregavam a liberdade de pensamento e igualdade de raças nos EUA (desde a época dos peregrinos). Meio que a "antítese" do Ku Kux Klan.
O jovem Dave, além de pegar mulher (não devia fazer isso muito, pelo menos ainda, antes de compor CRUSH), trabalhava humildemente como bom americano de barman no Miller's de Charlotesville. A região do interior americano é também famosa por berço da música negra desse país (e o que não derivou da música negra?) e no Miller's frequentemente se ouvia jazz da melhor qualidade, tocados por "locais" como Carter Beauford e LeRoi Moore. Nunca ouviu falar deles? VOCÊ IRÁ! (pelo menos neste blogzinho humilde das vinhas do senhor!). O Barman chega pros caras e diz "Ei véi, eu desenrolo violão, tá ligado?". Os caras devem ter estranhado, com "Vanilla Ice" e "New Kids on The Block" rolando no fundo "O quê?". Mas Existia um SENHOR MIAGI - John D'Earth. Um cabra misterioso no canto, no fundo de toda sua sabedoria sulista (que estava no seu sangue é claro), no fundo de seu conhecimento musical de diretor de performance jazz da universidade da Virgínia, olhou, botou fé, e ainda indicou seu aluno, um prodígio, Steffan Lessard, com apenas 16 anos. Dave mostrou suas músicas, The Song that Jane likes, What Would You Say e Back You Up. Eles começaram a tocar juntos, e em 1991, lá vinha o primeiro show, para 200 pessoas... Quando uma banda histórica toca pela primeira vez, sempre tem gente que olha pra trás mais tarde e diz "eu fui". Eram 200 "eu fui". Em shows assim, se dança mesmo sem conhecer as músicas, e foi o que aconteceu. Pessoalmente já tive em shows onde se dança empolgadamente se escutando uma música pela primeira vez, e digo que é uma experiência única. Um transe. Nisso surge outro negão, o altamente performático Boyd Tinsley, para tocar violino. Dele vocês escutarão mais depois. O pop da banda surgiu justamente pelo frisson que surgiu na região em torno do nome "Dave Matthews Band". De festinhas locais, vazavam fitas com gravações ao vivo, que nunca eram iguais uma da outra. E assim em uma época onde a internet engatinhava, as fitas funcionavam como pacotes ip e a fama se espalhou de uma forma inesperada. Posso dizer que o responsável pela popularização é menos pela qualidade dos instrumentistas do que pelo coração colocado por Dave nas letras. Poderia considerar um Legião Urbana da região mas o caráter passivo das letras puxa novamente para o pop. Jazz-pop. E a juventude americana novamente cantava o som das partituras, mesmo que longe das mídias em geral e da MTV, nos pomares da Carolina e nos campos de algodão do Alabama só dava Dave. De uma temática decisivamente masculina, a obra de Dave era o "homem nobre", as letras descomplicadas tinham vida própria, ambientadas no romântico, carpe-diem e naturalista.
O som da banda se estrutura em torno do magnífico baterista Carter Beauford. Além de ter essa aura de "super batera" que outrora foi do nosso colega do RUSH, também tem aquela névoa de mito por fazer algum malabarismo escroto. Se o batuqueiro da banda de Tom Sawyer colocava uma moeda na parede e a mantinha com a velocidade das baquetas, Beauford toca mascando chiclete. Não se compara, mas eu acho bem legal fazer isso, principalmente considerando como é difícil bater na cabeça e coçar a barriga (e depois trocar). É uma figura bastante carismática, e certamente é definitivamente a espinha dorsal da Dave Matthews Band.
Segurando os graves do baixo, está o galânzinho do Steffan Lessard, pequena criança prodígio quando entrou na banda (16 anos) e que agora está com gordo currículo. Foi introduzido a Dave por John D'Earth quando ele ainda estava no Miller's. Lessard toca no baixo de 5 cordas como um flautista profissional tocaria uma flauta doce. Simplesmente não dá pra acompanhar os dedos dele. Agora, fora essa peformance toda, o som sai bom :P.
Nos sopros, tem Leroi Moore, que é o que menos se destaca, já que é a cena bizarra dum negão de óculos escuro no escuro. No entanto ele toca muito bem todo o baralho que é o grupo dos sopros de madeira, o qual o sax faz parte. Mas só, não tem muita graça - na verdade é o conjunto com o violino de...
...Boyd Tinsley, el negón mariachi. Com ele os sopros texturizam, e em muitas músicas se confundem, dando um ar de orquestra ao som. Mas Boyd é um show à parte, e ao contrário de Leroi aparece e muito. Ele praticamente faz o show ao lado de Dave, e até canta em algumas faixas. Caras e bocas à parte, o negão toca.
E o carequinha, que muitos dizem ser uma versão de Tom Hanks... Carregando seu velho violão Yamaha e tocando de uma forma que parece ter mais dois cérebros nas mãos, mas que na verdade não é tão complicado assim de tocar. O estilo que ele criou para tocar violão para se cantar e solar ao mesmo tempo, impressiona bastante e te faz parecer gente grande! O resultado disso é soberbo como som, e dá para no fim, se afundar na música buscando as várias melodias em uma só: Cada instrumento no fim, toca uma melodia diferente, e Dave dá as letras. Apenas alguns exemplos:
CARPE DIEM
"Eat drink and be merry, cause tomorrow we die"
É verdadeiramente uma dos temas mais batidos por Dave. O trecho acima é da música Tripping Billies "Coma beba, e seja feliz, pois amanhã morreremos". Outros exemplos seriam Lie in our graves "Não acredito que estaríamos deitados nos nossos túmulos, imaginando no que poderia ter sido", ou em Pig "Estou dizendo, se abra e deixe a chuva cair em você, lave essa idéia cansada que o melhor ainda está por vir". Todas músicas alegres ou dramáticas. Funciona legal para escutar bebendo até cair com os amigos! "Celebrate, we will. Cause life is short but sweet for certain".
AMORE
"Let's go, drive till, morning comes, watch the sunrise, and fill our souls up"
É um trecho de na minha opinião a música mais sexy que há. Crush descreve um romance como uma grande relação sexual, começando devagar e depois chegando ao auge. Essa transição é feita na letra e na música ao mesmo tempo, então escutá-la é toda uma experiência. Flertes, desilusões, taradices, fugacidade, está tudo lá. Lover lay down, Rapunzel, Crash in to me, respectivamente de trepa, galanteio e a última sendo quando ele observava uma mulher pela janela "Eu te olho lá, na janela vidrado, vestindo nada mas cai tão bem em você". Uma interessante, é a Say Goodbye em que ele "Hoje à noite, vamos ser amantes, mas amanhã, você volta para seu homem e eu para meu mundo, e nós a ser amigos". É cara de pau, mas é arte :P (bem brega). E quando ele estava desiludido compôs uma peça maravilhosa de som, The Stone "Estava apenas esperando que você segurasse firme, minha cabeça quando ela não mais o fizesse, eu faria o mesmo, se você assim o quiser, mas se não eu vou, sozinho".
SOCIAL/ECOLOGIA
"It's not the colours that matter - is that they'll all fade away"
"Não são as cores que importam - é que elas desaparecerão". É bem forte esse aspecto em algumas músicas dele. Essa é Warehouse, que virou até o nome do fã clube oficial. Nele ele compara a Terra a uma grande loja-varejão, onde todos vem comprar e levar coisas. Em One sweet world ele defende o bucolismo "Vamos dormir lá fora esta noite, aos braços de nossa mãe, e assim descansarei em paz" ou em Dreaming Tree "Em pé aqui, bem antes destas ruas lotadas, estava minha árvore de sonhar". Ele faz a mais militante crítica ao consumismo também, em músicas como Too much "direto pra dentro, chupe, engula, até não mais", Seek up "Você busca uma emoção, e seu copo está transbordando" e Ants Marching "Quando todas as formigas marcham, antenas pretas e vermelhas - fazemos o mesmo".
OUTROS...
Macacos (nunca dá certo! cada música mal! - Proudest Monkey, Monkey Man... blé!) e Drogas - Jimi thing é a mais perfeita combinação de lombra - música e letra, expressando as várias fases da reação ao alucinógeno.
Enfim, foi uma banda marcada pelo CD EVERYDAY, que projetou a banda no Brasil, infelizmente muito ruim. As músicas dele dos cds anteriores sim traziam maravilhas musicais e inovações, no fim, muitas parecidas com o estilo percussivo-melódico de muitas bandas brasileiras, e há quem o ache parecido com Djavan, ou que seu violão soa às vezes como o de Lenine. Enfim, o som é cativante, viciante, e como toda banda pop, arrasta legiões de fãs que entram em transe com a letra. Apesar da qualidade dos integrates é notável a presença de Steve Lillywhite na produção (mesmo de the smiths, the clash, Rolling Stones, e outros), e sua saída, logo antes do Everyday, trouxe profundas implicações para o som da banda, que deixou de ser legal para ser bom. É importante salientar que Dave na verdade é a favor de liberar suas músicas na rede, e seus fãs costumam gravar cada um dos shows. Dizem eles que é como safras, nunca uma mesma música é tocada igual, e seus cds ao vivo são tidos como os melhores para demonstrar seu poder total.
"You and me and all our friends, such a happy human race!"
July 12 L - LondresLondon Bridge is falling down falling down falling down! London Bridge is falling down My fair lady!
- Meu filho, fique atrás da linha amarela, vc pode cair e ser eletrocutado.
Sábias palavras, painho. Mas não carecia, você não contava com o próprio aviso do locutor da estação de metrô. "Please stay behind the yellow line" ou o que sempre diziam antes do povo sair do trem após as portas se abrirem "mind the gap", "cuidado com o espaço" claro, que espaço? Este entre o metrô e a plataforma! Foi difícil até traduzir essa, um locutor de qualquer outro país não conseguiria dizer isso em menos de 4 palavras, mas no entanto os ingleses entendem muito bem os perigos de um "gap".
Outro exemplo bastante pertinente é a educação dada em todas as escolas referente à forma de atravessar a rua. Meses de palestras, filmes, folhetos, brinquedos, e encenações, unificados em torno do conceito de "Stop, Look, Listen". Três regrinhas básicas para atravessar a rua, by Britain. Em resumo, é preciso parar diante de uma faixa de pedestre (você não quer ser multado, não é?). Parar! O que te dá obviamente tempo de pensar "eu quero realmente atravessar a rua? Eu preciso?" É incrível, mas muita gente morre por conta dessa indecisão. Em segundo lugar, Olhe. Para os dois lados para ver se tem carro. Olhou? Não tem? Ótimo, agora escute. Como se por um "cyclic redundancy check" para confirmar por outro sentido a informação se tem que NÃO TEM CARRO PORRA! E então, se começa a atravessar, olhando para um lado e para o outro, e escutando, até alcançar o outro lado, como a galinha da piada. São ensinadas estas regras para crianças de 9 a 10 anos de idade. E para fora da região em torno da escola, região esta que possui guardas especiais chamados de Lollipop man (lady) que carregam uma grande placa com um sinal de PARE redondo, para enfiar na cara dos motoristas. Eles devem ser treinados para se jogar na frente do carro caso seja preciso. Que onda. As crianças aprendem, mas tanta coisa infantil precisa ser ensinado também aos adultos, não é verdade?
Tudo que eu precisava aprender, eu aprendi no jardim da infância!
Sem contar nas lavagens cerebrais para não fumar, contra racismo e assim por diante. Não acredito que seja um acesso de retidão coletiva, mas existe uma certa aversão à bagunça, principalmente depois deles terem dominado o mundo (séc. XIX) e visto o que a esculhambação é capaz de fazer. Uma das coisas que a cultura milenar dá é a etiqueta, e no caso até para morrer. Essa é a diferença mais marcante entre o 11 de setembro e o 7 de julho agora. O primeiro ataque a gente nunca esquece. Ah, mas quando foi o primeiro em Londres? Não sei, talvez flechadas e catapultadas há mil anos atrás. Há pouco tempo um incêndio grande e bombardeios da Alemanha na década de 40. Na ocasião, os ataques foram de cima para baixo, e os súditos do Rei George se escondiam no metrô, o mesmo que agora explodiu, os levando para cima.
Não se pode confundir a "diversidade" de Londres e Nova Iorque com o "sincretismo cultural" brasileiro. É verdade que temos o chá indiano, kebabs e uma arquitetura representativa na cidade inglesa, mas é como uma "diversidade compatimentalizada". Cada um no seu lugar, como se em um grande fichário. Por esbanjar oportunidades econômicas, essas urbes do norte trazem uma infinidade de pessoas que não se identificam culturalmente com o lugar, ao contrário do nosso brasilzão (viva o subdesenvolvimento!).
Mesmo com falta de integração cultural, o inglês conhece o planeta terra. Se um mochileiro das galáxias quisesse conhecer a Terra, certamente ele viria em forma de inglês para a Inglaterra (ih! plagiei!). E talvez para conhecer o mundo não precisasse nem sair de Londres. É o incrível legado da Rainha Vitória, a hemofílica, em cujo reinado o sol nunca se punha. As mulheres do mundo nunca poderão depois dela, julgar que nunca tiveram uma presença política forte na história. Esta Rainha foi simplesmente a criatura mais poderosa da espécie humana a pisar na Terra, uma mulher foi ditadora de mais da metade do mundo, com seus súditos governando tanto a Índia quanto a China, quanto as Arábias, África, até mesmo Jerusalém. 64 anos reinados com um braço de ferro e um leque de seda. Um sonho nunca concretizado nem por Napoleão, nem por Alexandre, nem por George Bush. Nem mesmo por Gengis Khan.
"Bando de macho frouxo!" Este deveria ser o lema da Inglaterra, que sempre teve mulheres fortes no poder. Da primeira Elizabeth, a que se emocionou com Shakespeare, voltando para as mulheres de Henrique VIII, e para a sociedade matriarcal Celta. Talvez esta aura celta bretã tenha realmente influência na sociedade política. Só assim para explicar a ascendência do poder feminino nessas ilhas, que o diga mais recentemente a Primeira Ministra Margareth Thatcher, a "Dama-de-Ferro", ou em inglês "Iron Maiden". Heavy metal pra carai. Lembrou de alguma outra? A Princesa Diana provavelmente seria outra grande Rainha como Elizabeth I, mas esta com todo o coração da Dama do Lago, jogando a Excalibur para Artur. Tal desenvoltura das mulheres só se encontra na PARAÍBA. Quase posso ver com meus próprios olhos a frase da Rainha Elizabeth I ao sair de um teatro após ver Romeu e Julieta, e se deparar com uma poça de lama. Um de seus vassalos logo ofereceu para por o casaco por cima da poça e ela deve ter dito "Deixe de frescura homem! Oxente!". Quem será a próxima soberana da ilha de Avalon? Nestes tempos de Londres multicultural, quem sabe uma Andrômeda queniana, uma Nuts Mahal, uma princesa árabe... muito difícil, vocês não acham? Quase que Diana arrasta o trono para Al Fayed e suas Arábias. Isto é que eu chamo de abertura política!
Mas Avalon tomou outro rumo, e a Inglaterra se alinhou com os fortes, brancos e ricos, como sempre. Está pagando o pato com bombas nos metrôs e ônibus, porque entrou em contradição com suas políticas de aberturas sociais (maquiagem da expansão do capitalismo).
Este é o hino, pela primeira vez cantado em 1745. Note que dependendo do soberano do momento é cantado como "God Save the Queen" ou "God save the King", mas quase sempre é cantando com Queen.
E tome cacente nos escoceses de William Wallace! Bom, talvez poderíamos interpretar a última frase no âmbito do futebol atualmente... Politicamente incorreto cantar isso (que nada, é pra se lascar!)
Grandes Ingleses Heróis Nacionais: - Wiiliam Drake, derrotou a Armada espanhola em 1588, e teve os primeiros contatos com os índios norte americanos - Horatio Nelson e o Duque de Wellington, vencedores das batalhas de Trafalgar (mar) e Waterloo (terra) contra Napoleão. Nelson, em um autêntica bichada inglesa, teria declarado antes de morrer "Beije-me, Hardy" (o imediato). - Capitão Cook, "descobridor" da Austrália e Nova Zelândia - Doutor Livingstone, "Joaquim Nabuco" inglês, misturado com Indiana Jones. Encontrado por o americano Stanley, que disse, ao ver um branco no meio dos negros "Doutor Livingstone, eu presumo" - Doutor Scott, explorador do pólo Sul, em uma corrida maluca contra os noruegueses. - Gordon Banks, goleiro inglês que defendeu uma cabeçada de Pelé - Mr Bean
CHEERIO! July 06 S - Sith, A Vingaça dos
Sendo tachado por todos vocês vermes de fã extraordinário da série, tenho que dar o veredicto aqui e expor minhas impressões. Porém, "Pourtant" tenho a inglória de dizer que não sou tão fã assim dos filmes - tenho uma predileção enorme pelo chamado UNIVERSO EXPANDIDO, a franquia de guerra nas estrelas que trata dos fatos que ocorrem fora dos filmes, ou que permeiam.
Só para citar alguns, temos o universo mítico de 5000 anos antes de uma nova esperança (episódio 4), onde os Jedi e Sith existem aos milhares e travam grandes guerras com mestres memoráveis de cada lado; as histórias pré-pré-triologia, com Darth Maul em seu auge preparando o terreno para o golpe de Sidious (Darth Maul Shadow Hunter, Lucas Books e a série de quadrinhos lançada pela Dark Horse); os jogos da Lucasarts em geral, que contam por exemplo a extraordinária saga de Kyle Katarn, espécie de Rambo de SW, que rouba os planos da Estrela da Morte e mais tarde se junta à nova academia Jedi de Luke Skywalker; a já lendária MARA JADE, futura esposa de Luke e braço direito do imperador Palpatine durante a guerra civil galática. Seriam muitos para citar.
Ler todo esse material, que possui uma continuidade e inúmeras ligações com a própria série cinematográfica, traz uma experiência completamente diferente para o fã "hard core" durante a exibição de um "ameaça fantasma" da vida. Outros materiais trazem até mais detalhes, como biologia, sociologia, exopaleontologia, fora as engenharias, sempre presente nos filmes de ficção científica. O fã secão sabe, por exemplo, que um star destroyer possui 5km de comprimento, que o nome da empresa que fabrica os TIE FIGHTER é a SINAI SYSTEMS, que a bexiga inflável dos Toydarians ajuda eles a voar, e que os mynocks podem sobreviver em espaço sideral. Quando aos personagens, sabe que Qui Gon é traumatizado por ter perdido um padawan, e quase não aceita treinar Obi Wan Kenobi. Sabe-se que Chewbacca tem 200 anos de idade, e que para ele o tempo em que se passa a triologia não traz muitas rugas (por isso ele se parece o mesmo da vingança do sith até uma nova esperança). Esses links pré-moldados trazem infelizmente uma carga para as costas de Lucas, que se vê obrigado a amarrar suas histórias ao universo expandido de forma a agradar seus vassalos.
Obviamente, não deixei de assistir ao filme "Vingança do Sith" 4 vezes. A pré-triologia, como muitos sabem, deveria mostrar um mundo mais tecnologicamente avançado, anterior à decadência. Deveria também, sugar literalmente de mitologias as mais diversas (mas que sempre acabam sendo as gregas, e muito por cima!).
O episódio que deveria ter amarrado a série inteira de uma forma soberba, e para isso bastava pescar diretamente as mitologias, se demonstrou terrivelmente dirigido e escrito. A sequência inicial, foi uma viagem em THX lá no BoX 7 do shopping guararapes, uma emoção à parte, com Obi Wan saltando triunfalmente da nave e já emendando a próxima cena. R2D2 herói nunca foi novidade, mas agora sua atitude Jackie Chan - Lassie deu toda um nova idéia para criadores utilizarem robôs astromecânicos junto com duplas de Jedi em missões. Mas Claro, Artoo é insubstituível...
Parênteses...
Essa missão da qual estou comentando agora mesmo, é uma emenda direta do desenho "Clone Wars" transmitido pela Cartoon Network, dirigida por Andy Tartakovsky, o mesmo de Samurai Jack, Garotas Superpoderosas, Johnny Bravo, etc. e com certeza dá o tom para a entrada do filme. Mas... Não! não dá o tom, na verdade rouba a cena! Incrível!
Enquanto isso nos quadrinhos, Obi Wan se torna obcecado com a idéia que Assaj ainda está viva, e a busca incansavelmente, muito a contragosto de Anakin, que já começa a ter ilusões de grandeza com relação a si mesmo. No planeta-cemitério de Boz Pity, Mace Windu, Anakin e Obi Wan se deparam com o Conde Dooku e Grievous, junto com a quase trazida-de-volta-dos-mortos Assaj, que ataca Obi Wan cheia de ódio. Após confrontar Dooku e quase ser derrotado (preste atenção, quase ser derrotado por Dooku!) Mace Windu vai atrás de Grievous que acaba de atravessar um sabre em Adi Gallia (discontinuidade???) e o bota para correr. Obi Wan tenta a todo custo trazer Assaj para o lado claro da Força, mas ela cai derrotada. Ao tentar se levantar e aproveitar um momento de descuido e lamentação de Obi Wan, ela é golpeada por Anakin, que salva "mais uma vez" a vida do mestre. No entanto, as páginas finais dos quadrinhos mostra que ela não morreu ainda...!!!!
No jogo "Star Wars - Republic Commando", o clicador do mouse assume o papel de #36, um clone de uma tropa de elite especial, composta demais 4 companheiros de personalidades distintas que executam os trabalhos sujos para a República. as missões ocorrem em Geonosis, em uma nave espacial fantasma, e em Kashyyyk, planeta dos Wookies, realizamos uma interessante missão de resgate do líder wookie Tarrful, confrontamos os soldados robôs-Jedi de Grievous, chegando perto de atacar o próprio (pense no suicídio que seria!).
Voltando ao desenho, o Senador Palpatine é sequestrado por Grievous, em uma investida em que Shaak Ti quase é morta, mas sofre um "eforcamento da Força" dado por Mace Windu na porta da nave antes de decolar. Isso explica obviamente sua respiração asmática no começo do filme.
Fecha Parênteses!
Com essa carga de informações antecipando os filmes, eu esperava, ao menos, que o filme contasse com 1. a atuação segura de muitos mestres Jedi, Ayla, Ki Adi Mundi, Kit Fisto, além de alguma aparição do novo Jedi Lobisomem e que acontecesse uma batalha épica entre eles e Grievous; 2. Que surgisse na telinha, por mais breve que fosse, o nosso intéprido #36 e sua gangue, já que me identifiquei tanto com ele; 3. Que Dooku fosse revelar a natureza de Syfo Dias, e que se portasse como excelente desafio, afinal, foi ele o treinador tanto de Grievous quanto de Assaj, a qual Anakin "matou" com tanto sacrifício; 4. E finalmente, a volta triunfal de Assaj e seus dois sabres vermelhos, em algum momento de suspense, com ela servindo de indução para a derrocada de Anakin.
Isto, pelo menos. Assim, quando Anakin e Obi Wan chegaram no cárcere do Senador, e encontraram Dooku, nos momentos iniciais do filme pensei "HÃ?". Ainda mais surpreso fiquei quando Anakin, Robin, o menino prodígio, saiu em defesa de Bat-Ewan e proferiu uma humilhante derrota a Dooku (ele suspendeu Obi Wan com a estrangulação da Força, deixando claro que a galera de George pega muita influência dos quadrinhos sim), que de joelhos, teve sua cabeça fatiada como erva daninha em uma tesoura de jardineiro. No mesmo ato, o galã George, resolve que Grievous está fraco demais, e, cercado por apenas Obi Wan, um recém mestre, e Anakin, um reles cavaleiro, foge como um covarde e os deixa para fazer uma aterrisagem forçada para a "pequena" nave, que por acaso, encontra uma pista de pouso, que provavelmente era um museu, já que na época desse filme as naves decolam praticamente na vertical, para segurar uma nave de proporções tão gigantescas que mesmo torada na metade, poderia deslizar na inércia 10Km sem diminuir a velocidade. Um momento legal foi quando essa nave, ainda no espaço e intacta, ficou lado a lado com um outro "galeão" Republicano, e eles atiraram um no outro como canhões de guerra em navios... Legal!
Chegando ao chão, mal Anakin se despede de Obi Wan, ele foge para abraçar Padme a uns 5 metros de distância dos outros Senadores, praticamente desconhecendo que o que eles estavam fazendo era algo muito do errado, e que os sistemas de vigilância do século "há muito tempo" são bastante avançados. Padme diz que está grávida, e Anakin diz "isso é maravilhoso" após um momento pensando "ai meu Deus, Obi Wan vai me matar!". Na verdade, a idéia do amor proibido poderia ter sido muuuuuitooooo melhor tratada... buscando inspiração em tantas mitologias... Pelo menos Yoda ou Mace poderiam ter expulsado ele da ordem ANTES dele virar Sith, iria deixar as coisas mais fáceis para o nosso futuro cavaleiro negro preferido.
Enquanto isso, em uma galáxia muito distante, um ponto positivo: Anakin é posto entre a Cruz e o Sabre de Luz, quando Palpatine bota ele pra ser mestre a pulso, para espionar os Jedi (para aceitar, ele faz uma cara de quem está engolindo uma lapada de cana ruim, numa clara demonstração de falta de habilidade de atuação). Em seguida, Mace bota ele para espionar no Senador. Fica claro agora (pros fãs, claro, que devoram tudo e sabem mais) que Anakin teve dois pais, ou melhor, uma "avó" (Palpatine) que mimava o menino, e um pai de verdade Obi Wan, que dava esporro até não querer mais. Engraçado que o próprio Obi Wan considerava Anakin não um filho, mas um irmão. Também, ele não teve pai...
Agora, a melecada geral: Obi Wan vai SOZINHO para Utapau, vira cowboy de largatixa e inventa de enfrentar Grievous sozinho. GRIEVOUS, o cara que tem mais sabre de luz na cintura que alagoano tem de peixeira em casa. Mas com a ajuda do papai Lucas, quem não pode tudo? "There is no try" como diria Yoda, e Ob-Ewan fecha os olhos enquanto Robocop depois da gripe chega girando sabre como uma batedeira elétrica prestes a fazer bolo. Na luta, Obi sai defendendo aqui, ali, e TOF! tora uma "patola" do general. Tum Tum, e TOF, outra patola! Isso só já seria suficiente para Obi Wan ser condecorado por bravura até em Kashyyyk, mas ele queria mais. Dá uma cipuada da Força que eu só tinha visto Yoda dar (Ob-Ewan estava inspirado!) mais ou menos no mesmo momento em que a cavalaria chega, e Grievous é obrigado a recuar, embolando dentro de um pneu com patas (é isso aí!). Obi Wan, então faz o clichê do momento: FIU FIU para SILVER, e lá vem a largatixa pocotó, caindo ele montado em cima. Clint Eastwood teria morrido de inveja apesar de ter considerado o "Teju feio como o diabo". Enfim, Obi Wan Damme alcança Grievous. Ele mata o general com um tiro de blaster bem na titela, que morre como um Nazgul com úlcera fulminante. "Que incivilizado" diz Obi-Wan "quase quebrei uma unha". Cadê a batalha épica? Grievous virou um "Aibo" nesse filme!
Enquanto isso, na sala da justiça Jedi, Anakin está "comendo corda" de Palpatine. E de acordo com ele, para salvar Padme de um sonho ruim, ele deve virar Sith e aprender a contornar a morte. É interessante ver por esse lado, já que ele perdeu a mãe assim também (ê Édipo!), mas os diálogos matam qualquer um, nessa parte... A esse momento do filme o cara já quer entrar dentro da tela e gritar PARA TUDO!
Bom, aí Mace pega um cacete com Sidious (já revelado) e Anakin chega para impedir que "a vovó" morra nas mãos do negão safado (que caracterização mais bem feita da sociedade americana! Well Done, Lucas!). Arrancando a mão de Windu, ele vira a casaca, e Samuel L. Jackson solta um gritinho que poderia muito bem ter sido colocado em dublagem de filme de comédia de sessão da tarde. Qualé, o cara é um ator da porra, só que faltou a direção... Ferrari preta sem motorista. Agora Anakin é DARTH VADER, e se submeteu de joelhos tão facilmente pra Sidious, que eu acho que devem ter coisas proibidas para menores nas cenas deletadas. É claro, ele queria salvar Padmé, desculpa! Qualquer coisa pra isso! Até um bola gato no senhor, Senador!
Até matar criancinhas. Já viram crianças serem mortas em cinema? Bem a última vez que eu vi foi em A Queda, de uma forma tão boazinha que quase deu vontade de morrer daquele jeito também. O cinema está ainda a anos-luz da realidade. Neste momento, Anakin vai lá no templo fazer a festa no apê, enquanto Sidious dá a ordem 66 nos clones. Neste momento é impossível não se emocionar, enquanto os soldados da República investem contra os seus comandantes Jedi. Realmente, é uma idéia boa. Mas... espera, eles estão morrendo fácil demais... ah, mas isso é besteira... o que eu queria ver era uma luta épica... com os mestres preferidos... poxa, não dá mais!... Nossa, como Ayla morreu fácil. Ayla, é um caso especial, porque ela foi trazida diretamente dos quadrinhos para o cinema, em um ato raro do Tio George. Ela passou por maus bocados, teve problemas na infância, com seu mestre Quinlan Vos, foi drogada e blá. Morreu sem dar um ai, a Twi'lek mais gostosa da galáxia. Sacanagem. Plo Koon, derrubado do céu como um pombo de caça. Adi Gallia... Eita, ela tá viva é???.... Ops! morreu!. Ki Adi "Pai Mei" Mundi esboçou até alguma reação, mas mó-rreu na bala. Ah se fosse eu jogando Jedi Knight, Jedi Outcast ou Jedi Academy... Ou até mesmo Lego Star Wars! Aqueles blasters eram fáceis de defender.
E vem cá, cadê #36, nosso Cabo Tenório, o maior Inspetor de quarteirão da galáxia? puf... sumiu. No lugar dele, um tal de "CODY". Ele mesmo recebe a ordem pra dar o tiro fatal em Obi Wan e seu fiel alazão de sangue frio, que cai soltando gritinhos que devem ter sido criados da fusão de chiado de rato e um peru com tuberculose. O filme pecou por não conectar com o jogo, que teve as vendas muito fracas, i must say. ainda mais, por que o jogo não conectou melhor com o filme? Por que não colocar uma batalha em Utapau, protegendo Obi Wan de Grievous? Seria mesmo indispensável por uma batalha final seguindo a ordem 66, e tendo como objetivo matar um jedi. Ou dentro do templo Jedi, ajudando Anakin a matar criancinhas! (riso maquiavélico). Mas eles não souberam, ou nào quiseram fazer isso. Too bad. boo.
A entrada de Anakin no templo é no mínimo apoteótica. Vale dizer que ele matou Shaak Ti, que estava lá dentro no instante da invasão (vide LEGO STAR WARS e o SITE OFICIAL STAR WARS). Que pena, ela era tão boazinha e legal... George não explorou as mulheres Jedi como deveria.
Isso fica claro quando a coisa anda mais e começamos a ter certeza que Assaj não vai dar as caras. Isso é uma pena enorme, a luta teria sido linda. Claro, iria tomar tempo da "maior batalha de espadas da história do cinema" que eu tenho que admitir, foi muito bem feita. A "batalha dos heróis" teve uma trilha envolvente e coreografias bem realizadas. A idéia do golpe fulminante de Obi Wan em Anakin foi perfeita, não saberia fazer melhor. Noto que Obi Wan foi mau com Anakin... muito mal... po Ewan, ele sempre te salvava, leva ele para o lado bom da Força denovo... E vc deixou ele para apodrecer como um rato... É, eu iria para o lado negro depois dessa também! Em paralelo, vemos a luta de Yoda com Sidious, "a" batalha mais poderosa já ocorrida em muito tempo, e em um lugar simbólico, o Senado (que estrago vc fez hein Palpi? Tudo bem, eu sei que vc vai dissolver o senado no começo do "uma nova esperança").
O filme todo, em termos estéticos leva a forma de uma ópera, de uma peça clássica, neoclássica ou barrôca, se valendo de efeitos como a "Recursão", técnica derivada da matemática, onde se repetem fractalmente "quantas" estéticos da obra com o objetivo de reforçar a idéia que se quer passar. Foi usada por Beethoven, Schubert, Mozart, Da Vinci, e é constantemente usada por compositores atuais em filmes com conteúdo emocional forte. Ainda mais era usado em musicais da década de 30, 40 e 50, de uma forma muito legal, inclusive (Nostalgia da Disney!). Para mostrar as recursões, gastaria outro post grande, que futuramente eu farei.
Aï o desfecho final: Yoda dá tchau à Chewbacca (sons de "eitaaaa" da platéia) e Tarrful (se lembra dele?) à lá E.T. (inclusive, essa espécie sensiente faz parte do universo de Star Wars. É na verdade o único link de Star Wars com a Terra. Acho que não custa algum autor desses pôr um Jedi da espécie de E.T... Para provar que os ET fazem parte de SW, alugue "a ameaça fantasma", e assista até o fim a cena onde a senadora padme propôe o voto de não-confiança no Chanceler Valorum. No fim, no meio do fuzuê, eles aparecem em uma cena, em uma tribunazinha no canto inferior esquerdo. Não é difícil de ver.). Yoda então sobe com a trilha de retorno de jedi, muito bem aplicada pois eles estavam em um planeta mato, em clara referência do tipo "recursão" ao Retorno de Jedi. Darth Vader é montado, como um boneco LEGO, e Padmé é desmontada, como qualquer mulher buchuda. Mas essa é por uma "parteira robô" que falava em uma linguagem estranha que por um instante eu achava que fosse japonês. E ainda fazia a respiração! Uuummpáaa!! Ummmpáaa!! Engraçado... se a moda pega... E ela parecia um pouco com aquele robô da década de 80 da estrela, que achava seu caminho sozinho.
A montagem de Darth Vader foi algo perto do fenomenal: a máscara descendo, e ele sendo erguido num ambiente mal iluminado, claramente parecido com um palco. O diálogo simples ali funcionou, enquanto a máscara lembrava alguma peça do drama grego de antes de Cristo... e o NAAAAOOOOOOOOOOO teve gente que achou brega mas eu gostei! (no fundo sim!)
...E os gêmeos são entregues aos seus pais adotivos. O filme funciona como uma emenda à nova triologia e teve seus momentos felizes. Mas gerou expectativas demais antecipadamente para que essas cenas convencessem. Fora isso, o que torna as coisas mais difíceis ainda é a péssima atuação de paspalhos como Hayden Christensen e Samuel L. Jackson, que é um bom ator mas provou que mal dirigido pode ser um acidente. O roteiro é trash. Por isso, coloco esse filme abaixo de tanto a ameaça fantasma, quanto o ataque dos clones. Não me deixo levar pelos momentos de emoção exarcebada do filme, que seria de se esperar. Mas passar mais tempo ouvindo falas de Hayden é que não dá pra engolir. Que ele se dê muito bem em sua nova profissão de arquiteto (é sério!).
P.S. Apesar o erro de legenda, galera, só apagam a memória de C3PO. A de R2 não apagam. A galera vacilou na tradução hein. |
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