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June 28 H - HumanidadeQuando tudo for descoberto e vivermos em uma sociedade perfeita, só nos restará a arte. Esta frase não se trata de profetizar o utópico, mas de enfatizar o poder da arte e sua capacidade infinita de desafiar a humanidade. E de exaltar o homem-artesão, aquele que se manifesta em todos nós quanto tentamos trazer para os dedos as infinitas coerências que se passam pela nossa cabeça.
É quase uma regra geral da teoria de sistemas que o todo é sempre muito mais que a soma das partes. Talvez até multiplicações. Na natureza, se observa como o comportamento animal de sociedades é infinitamente mais complexo do que indivíduos solitários. Assim, poucos se tornam um grande animal, de vida mais longa e muito mais poderoso e resistente a destruição. Um indivíduo humano vive 80 anos, mas e um povo? Assim como uma célula dura dias ou semanas, um ser humano pode durar infinitamente mais. Mas assim mesmo algumas células podem se transformar em Câncer, e destruir um corpo - e geralmente a destruição de um império começou com um único indivíduo, às vezes não tão "importante" assim. Assim como na natureza (evolução construtiva), os "cânceres positivos" demoram muito tempo para aparecer, sofrem enorme resistência para se firmar, e quando surgem finalmente, é de forma explosiva e revolucionária, normalmente desencadeando uma longa série de mudanças subsequentes. De fato, é necessário o nascimento de toda uma nova ciência para lidar com a teoria de sistemas, tamanha é a sua complexidade.
É interessante ver o homem como uma célula e não como indivíduo, porque mesmo assim é possível usar a psicologia, ver traumas coletivos, êxtases coletivos, obsessões coletivas, etc. Existe uma profunda troca entre as experiências de um indivíduo e a sociedade, e as experiências de uma sociedade e o indivíduo, os dois se influenciam mutuamente. Mas até agora só falei de animais não-humanos. Tá vendo?
Quando um dos seres vivos, com capacidade de manipulação de ferramentas suficientemente elaborada, e comunicação para espalhar para os outros o que descobriu (a fofoca), além de é claro ser social, fez um montinho de terra com as mãos, e em seguida olhou para a frente e viu uma montanha, algo interessante aconteceu.
Geralmente em grupos animais sociais onde não existe uma especialização tão gritante de funções (como as abelhas), a tendência é o aparecimento de hierarquias. Nos mamíferos isto é bastante evidente, se observando de todos os tipos, matriarcais (elefantes), patriarcais(felinos e caninos sociais), e misturas dos dois (chimpanzés) de acordo com as condições ambientais (!). Geralmente o grupo tem mesmo essas divisões sexuais e dentro de cada sexo a hierarquia de importância vai de macho alpha (tem privilégios sobre escolha de fêmeas e da comida dividida) a macho ômega (tá no fundo do poço!). Este sistema é observado de cachorros a baleias, e a linha que divide cada posição hierárquica é tão tênue quanto esta mesma lógica que existe muito informalmente dentro de famílias humanas. No fundo, é uma hierarquia de respeito entre um indivíduo e outro.
E aí que esses seres têm programação genética para subir ao poder. Cada um deles, e isso não é nada mau porque mantém os melhores no topo. Quando se é um cachorro quase sempre a idéia que cada cãozinho tem (nos genes) é o melhor para o seu grupo. O problema é quando se é humano, o conceito de melhor varia tanto... (George Bush e Hitler que o digam). Assim dentro do respeito cada um sonha em ter as qualidades do macho alpha. Ele é a estrela de cinema, o campeão do mundo.
E toda essa enrolação foi para dizer que, ao construir o montinho de terra com as mãos o ser humano realizou um feito, mas ao ver a montanha ele imaginou o tamanho das mãos daquele que como ele estava só brincando. Foi aí que o ser humano descobriu, ou inventou Deus. Em resumo, só um ser capaz de criar é capaz de conceber algo como Deus, e depois ficar adorando, como o macho alpha supremo. A arte e ciência então estão tão ligadas assim à religiosidade porque ao fazer uma escultura, uma pintura, ou um laptop, o homem tenta se igualar à natureza que o criou, assim como nós usamos relógios suíços ou dirigimos carros audi.
O homem vai até onde o seu macho alpha for, seja um jogador de futebol, seja um empresário de sucesso. Cientistas, filósofos, artistas e religiosos vão além - seu macho alpha está nos cofins do imaginável. Tirar este Deus ou a própria espiritualidade humana, sua fascinação pelo universo "criado", e o pôr na terra dentro de um carro esportivo, é negar o homem-artesão, e deixá-lo em um ciclo interno na sociedade, de karma e adoração a sua cultura vigente.
Velho Mito Hindu
Uma vez Brahman quis esconder o poder divino do homem, a fim de que este nunca pudesso o utilizar para fins maléficos.
Em reunião com outros deuses, perguntou onde deveria esconder esse poder, de forma que nunca fosse alcançado.
Um sugeriu que colocasse no mais fundo dos oceanos, onde peixe algum jamais esteve.
Mas Brahman disse que um dia o homem construiria uma máquina e encontraria meios de chegar até lá.
Outro propôs que o poder divino fosse posto no mais alto dos céus, acima das núvens, mais alto que qualquer águia já voou.
Ainda assim, Brahman falou, ele alcançaria, com máquinas algum dia construídas com a mais pura engenhosidade.
Meio desapontado, Brahamn teve uma idéia:
Todos esperavam quando ele finalmente disse:
"Vou colocar o poder divino no fundo de seu coração. Lá ele nunca o alcançará" |
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